A disciplina na igreja local
“Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros,
consoleis … sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos”. (1Ts 5:14)
Disciplina não é um assunto agradável.
Quão bom seria se pudéssemos esquecê-la, e ocuparmo-nos com algo mais alegre.A disciplina é dolorosa. Talvez doa mais naquele que disciplina do que naquele que é disciplinado. Além disto, entristece a outros também. O Espírito Santo disse: “Toda disciplina … não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; … entretanto, produz fruto pacífico, aos que tem sido exercitados por ela” (Hb 12:11, versão Atualizada). É dolorosa, mas essencial; é para o próprio bem daquele que precisa ser disciplinado.
As Escrituras falam de pelo menos quatro aspectos de disciplina, e todos eles tem um papel importante na vida do cristão:
A disciplina que Deus exerce na vida dos Seus filhos (Hb 12:1-11).
A disciplina que o cristão deve exercer na sua própria vida (I Co 9:24-27).
A disciplina que os pais devem exercer na família (Ef 6:4).
A disciplina que a igreja local deve exercer nos que fazem parte dela (Mt 18:17; I Co 5:12).
As Escrituras deixam bem claro que cada igreja local tem o dever de exercer disciplina no seu meio. É interessante observar que a primeira vez que a Bíblia fala duma igreja local, ela fala de um irmão que pecou contra outro, e da consequente necessidade de disciplina (Mt 18:15-17). É impressionante descobrir que a última vez que a Bíblia fala duma igreja local (Ap 3:14-22), ela fala também de pecado e da necessidade de disciplina. Parece que todas as igrejas locais tem que exercer de vez em quando esta responsabilidade solene e desagradável, porém necessária.
Autoridade para a Disciplina
Para que a igreja local possa exercer esta disciplina, o Senhor lhe deu a devida autoridade, na mesma passagem bíblica onde encontramos a primeira menção da igreja local. Veja outra vez Mt 18:17. Se o pecado dum irmão contra outro não pode ser resolvido entre os dois, então aquele que sofreu o agravo deverá levar mais um ou dois irmãos para ajudar resolver a questão. Caso seus esforços fracassarem, o caso deverá ser levado ao conhecimento da igreja local, e se aquele que pecou recusar ouvir a voz da igreja, não há outro tribunal superior.
A autoridade suprema para resolver as questões que surgem entre o povo de Deus é a igreja local.
Restrições à Autoridade
Há, porém restrições a esta autoridade.Uma igreja local não tem autoridade para julgar conforme a sua própria sabedoria ou parecer, como vemos claramente no capítulo acima mencionado (Mt 18:15-20). O Senhor Jesus Cristo mostra aqui a maneira como esta autoridade é exercida. O Senhor está no meio, e o julgamento tem que ser o dEle. O v. 18 expressa isto: “…tudo o que ligardes na terra, terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, terá sido desligado no céu” A). Observe bem o tempo dos verbos. A acção da igreja é posterior à acção no céu.
Quando a igreja local exerce a sua autoridade em disciplina, ela está fazendo aquilo que Deus já fez. Não é (como muitos pensam) que a igreja julga e Deus então ratifica esta decisão. É o contrário. A igreja, através da Palavra de Deus, sabe o que Deus pensa sobre o caso específico que está sendo tratado, e ela age de acordo com isto.
Ela liga ou desliga o que ela sabe ter sido ligado ou desligado por Deus. A sua autoridade, portanto, é delegada e limitada. Ela não pode julgar pela sua sabedoria, mas somente pela Palavra escrita de Deus.
Há ainda uma outra restrição à sua autoridade; ela é limitada aos seus próprios membros. Veja I Co 5:12, onde o Espírito diz: “…que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora”. A igreja em Corinto não possuía autoridade de julgar os que não eram salvos, nem tão pouco poderia julgar um cristão que, por qualquer motivo, não fosse membro daquele corpo. Nas sete cartas de Apocalipse caps. 2 e 3, bem como nas cartas escritas à igrejas em todo o NT, vemos ainda que uma igreja local não tem autoridade de julgar o pecado dum irmão que é membro da igreja em outro lugar. Nenhuma igreja tem autoridade de julgar uma outra, nem um caso que acontece em outra igreja local.
A Razão da Disciplina – Convém dizer em primeiro lugar que a disciplina exercida pela igreja local, não é um exame para descobrir se a pessoa em questão é salva ou não. Também não é uma arma para livrar a igreja dum irmão teimoso que causa problemas.
Quando a igreja fica ciente da presença de pecado no seu meio, é necessário agir sem perder tempo, pois “um pouco de fermento faz levedar toda a massa” (I Co 5:6). Nesta mesma carta aos Coríntios aprendemos que a igreja local é “templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita” nela (I Co 3:16). O versículo seguinte enfatiza a mesma verdade: “o templo de Deus, que sois vós, é santo” (v. 17). O Salmista disse: “A santidade convém à Tua casa, Senhor, para sempre” (Sl 93:5). Um alvo da disciplina é manter a santidade da casa de Deus, para que a igreja local continue uma habitação digna da presença do Senhor.
Uma outra razão porque é necessário exercer a disciplina na igreja local é para servir de exemplo aos outros, assim evitando que venham a cair no mesmo erro daquele que foi disciplinado (I Tm 5:20). Este facto indica que a disciplina deve ser administrada quando a igreja está reunida.
Jamais podemos esquecer que a disciplina visa a recuperação daquele que caiu: “vós que sois espirituais, encaminhai o tal” (Gl 6:1).
Administração da Disciplina – Assim como um pecado é diferente de outro, assim também as formas de disciplina são diversas. Cada caso diferente exige um tratamento diferente, e creio que podemos encontrar no NT instruções suficientes para orientar-nos quanto à maneira de tratar qualquer pecado que apareça na igreja local.
Um Pecado contra um Irmão (Mt 18:15-17) – Nesta passagem, que contém a primeira menção duma igreja local, lemos de alguém que pecou contra seu irmão. Não se trata de um caso duvidoso, mas sim de um caso claro de pecado cometido contra um irmão. Não há dúvida quanto à culpa daquele que pecou.O primeiro passo em tratar deste pecado cabe ao irmão que sofreu o agravo. Ele deve procurar aquele que pecou, mas não com um espírito arrogante, disposto a brigar. Ele deve ter um desejo sincero de resolver o problema entre eles dois sozinhos, e, se for bem sucedido nisto, o caso termina neste ponto, com o arrependimento e o perdão sinceros. Se, porém, não conseguirem resolver a questão sozinhos, o segundo passo também cabe ao irmão que sofreu o agravo. Ele deve voltar a falar com o ofensor, mas desta vez na presença de um ou dois irmãos, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. Se, com a ajuda destes irmãos o ofensor for levado a reconhecer seu pecado e sinceramente se arrepender, será o fim do caso, e a igreja não ficará envolvida.
Se, porém, aquele que pecou fica intransigente e, apesar dos esforços feitos até agora, não reconhece o seu erro, o caso tem que ser levado ao conhecimento da igreja. Os anciãos, representando a igreja (veja At 15:6), terão de tratar com o ofensor, e se ele reconhecer o seu pecado e arrepender-se, encerra-se o assunto, mas se ele recusar ouvir a igreja, ele será considerado como um gentio e publicano. Em outras palavras, ele, pela sua atitude intransigente, não está mostrando as características duma pessoa salva, mas sim de um gentio ou publicano, isto é, de uma pessoa que não é salva, e será posto fora da comunhão da igreja local. Alguns, que não concordam com este ensino, dizem que é somente o irmão que sofreu o agravo que tem que considerar o ofensor como gentio ou publicano; mas, neste caso, a igreja toda estaria continuando em comunhão com aquele que pecou, e não com aquele irmão que sofreu o agravo. Isto não pode ser. Este pecado, que no início era uma ofensa pessoal, agravou-se ao ponto de ser necessário excomungar o ofensor.
O Iníquo (I Co 5:1-13) – Este capítulo fornece uma lista de pecados que exigem a excomunhão. O caso específico que ocupa a maior parte do capítulo é um de incesto (v. 1), mas no v. 11 vemos que outras formas de imoralidade estão incluídas nesta categoria. Lemos dos devassos, dos avarentos, dos idólatras, dos maldizentes, dos beberrões e dos roubadores (vs. 10-11).
Os devassos são caracterizados por práticas sexuais ilícitas; o caso do homem incestuoso mencionado neste capítulo fornece um exemplo, mas todas as aberrações de natureza sexual estão incluídas, tais como fornicação, prostituição, adultério, homosexualismo, lesbianismo etc.
Os avarentos são caracterizados pelo hábito de tentar obter lucros ilícitos. Os idólatras são aqueles que adoram e servem os ídolos. Isto inclui em nossos dias aqueles que participam nas religiões falsas mesmo se estas levam o nome de “cristã”, como o espiritismo, romanismo etc.
Os maldizentes são caracterizados pelo uso de linguagem abusiva; são caluniadores, e persistem depois de admoestados.Os beberrões são caracterizados pela embriaguez. Aqueles que usam drogas (como maconha, heroína, etc.) estão incluídos nesta categoria.Os roubadores apoderam-se daquilo que pertence a outros. Além do ladrão (no sentido normal da palavra) o termo inclui pessoas que roubam através da cobrança de juros exorbitantes, etc.
Casos como estes são gravíssimos, e precisam ser tratados com urgência. Uma leitura de I Co 5 mostra claramente como a igreja deve agir quando, comprovadamente, existe um caso destes no seu meio.
“A destruição da carne” pode indicar a possibilidade de sofrimentos físicos, mas se este ofensor for realmente salvo, apesar de tudo, não perecerá eternamente; o espírito será salvo no dia do Senhor Jesus.”Tirai pois dentre vós” (v. 13) é excomungar. Significa considerá-lo como um gentio e publicano (Mt 18:17), pois ele não está mostrando nenhuma evidência de ser salvo.
O Irmão Surpreendido numa Falta (Gl 6:1) Não devemos entender que este versículo está falando de um irmão que foi pego em flagrante por outro. Antes, é o caso de um irmão que foi pego de surpresa pelo pecado. Não foi um pecado premeditado, mas um acidente na sua carreira cristã – um tropeço inesperado. O pecado é visto aqui como um caçador que persegue e apanha um membro da igreja. Talvez o irmão descuidou, pensando que nunca seria capaz de cometer tal coisa, mas caiu. Veja isto ilustrado no caso de Pedro em Mt 26. Quando ele foi avisado pelo próprio Senhor, ele disse: “Ainda que todos se escandalizem em Ti, eu nunca…” (33), mas na mesma noite ele negou o Senhor publicamente e com juramento(70, 72).
Devemos sempre lembrar do aviso de I Co 10:12, “Aquele pois que cuida estar em pé, olhe não caia”. Este caso tem que ser tratado de forma muito diferente dos já mencionados. Devemos “encaminhar o tal”. Este verbo era um termo médico, usado para descrever o serviço do cirurgião que colocava um osso ou junta novamente no seu lugar correcto. Foi usado também para descrever o serviço de Tiago e João quando o Senhor os chamou – estavam “consertando” as redes para poder pescar (Mt 4:27). “Encaminhai o tal”, portanto, significa recuperá-lo para que ele seja mais uma vez útil na obra do Senhor, assim como Pedro e Tiago estavam recuperando as redes, tornando as úteis para a pesca.
Os Desordeiros (I Ts 5:14 e II Ts 3:6-14) – Há várias referências nas cartas aos tessalonicenses a desordeiros. A Chave Linguística do Novo Testamento Grego diz que esta palavra “era, primeiramente, um termo militar usado em relação ao soldado que estava fora de sintonia ou de alinhamento na fileira em marcha … depois era usada mais genericamente para qualquer coisa que estivesse fora de ordem.” O Espírito Santo deu Sua definição da Palavra como é usada nestas cartas, dizendo: “andar … não segundo a tradição que de nós recebeu” (II Ts 3:6). Portanto, o desordeiro é aquele que, em qualquer ponto, não está andando conforme a doutrina dos apóstolos.
A igreja estaria andando conforme as instruções do Novo Testamento, mas este irmão ou irmã estaria fora de compasso, fazendo algo diferente. Um exemplo muito comum é o jugo desigual.Este caso não será resolvido com excomunhão. As cartas aos tessalonicenses mostram como a igreja deve proceder.O primeiro passo a ser tomado é “admoestar os desordeiros” (I Ts 5:14).
A palavra admoestar significa corrigir ou “treinar por meio de palavras – palavras de encorajamento quando estas são suficientes, mas também por palavras de advertência, de censura e de reprovação, quando forem necessárias” (O contexto imediato mostra quem pode admoestá-los; são os presbíteros (v. 12).Nesta altura, o desordeiro não sofre castigo, mas será encorajado pelo ensino da Palavra a abandonar seu caminho errado.
Se este encorajamento não alcança o resultado desejado, os presbíteros usarão a Palavra para advertir, censurar e repreender seu erro, mostrando-lhe as consequências prejudiciais tanto para ele como para a igreja.
Em Tessalônica, estes dois passos foram tomados, e os desordeiros não se arrependeram. Esta teimosia deles forneceu a ocasião para que nós pudéssemos aprender como proceder nestes casos difíceis. Já que não estavam dispostos a obedecer a Palavra, o apóstolo disse: “Mandamo-vos, porém, irmãos, em Nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que andar desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu” (II Ts 3:6).
Este terceiro passo é “apartar”. Não é um caso de excomunhão, pois este não será considerada um gentio ou publicano (Mt 18:17); ele é um “irmão”. Também não é o caso de “tirar dentre vós”, pois este não é um “iníquo” (I Co 5:13); é um irmão. Será um afastamento da parte da igreja, retirando-se dele, para que ele sinta que está fora de compasso, e perceba a gravidade do seu erro, causando prejuízo à igreja. Nesta altura a igreja não somente está falando (admoestar); ela está agindo (apartar). Na prática isto incluiria uma diminuição da comunhão, até no contato social, e a perda de certos privilégios.
Não seria mais permitido usar a Palavra para ensinar ou exortar, pois já que ele mesmo recusa obedecer a Palavra, como poderá exortar aos demais a obedecerem? Mas a igreja deve lembrar que este é um irmão, apesar do seu erro, e deve ser tratado com amor fraternal.
Caso esta diminuição de privilégios não o leva ao arrependimento, há mais um passo a ser tomado. “Notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe” (II Ts 3:14). O verbo “notar” indica que a igreja deve tomar cuidado com respeito a este irmão, mas não sugere um aviso público
Alguns entendem que é semelhante à expressão “não se comunicam” (Jo 4:9). O verbo “misturar” parece ir mais longe do que “apartar”; implica evitar a companhia dele, mas há uma ressalva – “não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão” (v. 15). Em cada encontro com ele, devemos lembrar que ele ainda é nosso irmão e, usando a Palavra, procurar encorajá-lo a arrepender-se.
Acusadores de Presbíteros (I Tm 5:17 – 20)
Creio que esta passagem é mal entendida por muitos. Dizem que aqui é o caso do presbítero que peca. Não há dúvida que um presbítero pode cair em pecado, e terá de ser tratado conforme a Palavra ensina para aquele delito, mas o pecado em I Tm 5 é daqueles que trazem acusações infundadas contra o presbítero, procurando assim difamá-lo e solapar a sua autoridade (v. 19). Tais acusações não podem ser aceitas, a não ser pela boca de duas ou três testemunhas (compare com Mt 18:16).
A palavra traduzida “acusação” é um termo legal, mas neste caso falta o respaldo de testemunhas (Dt 17:6; 19:15; Jo 8:17; II Co 13:1). A necessidade de testemunhas é uma defesa contra o perigo de insinuações e fofocas que visam minar a autoridade moral do presbítero. “Aos que pecarem” (v. 20) não se refere aos presbíteros (uma mera repreensão pública não seria um tratamento adequado para um grupo de presbíteros que estivessem pecando). Refere-se àqueles que, “por malícia e maldade, persistem em apresentar acusações, que não podem ser comprovadas, contra os presbíteros” Estes devem ser repreendidos publicamente.
Faladores Desordenados (Tt 1:10-14 e 3:10-11)
A palavra traduzida “desordenados” é da mesma raiz que a palavra usada em I Ts 5:14. O problema em Tessalônica era um andar errado, mas o de Creta, onde Tito estava, era um falar errado. Havia dois tipos que deveriam ser distinguidos – os “vãos” e os “enganadores” (1:10). O primeiro fala sem proveito, ocupando o tempo inutilmente; o segundo traz um ensino falso.
Nos dias apostólicos, as reuniões normais das igrejas eram reuniões abertas, isto é, sem um dirigente humano e sem uma programação prévia estabelecida; os irmãos que possuíam os dons necessários estavam em liberdade para agir sob a direcção do Espírito Santo. Nos dois casos acima mencionados, porém, a igreja teria de tomar as medidas necessárias para a disciplina. O primeiro passo é “tapar a boca” deles (Tt 1:11). Isto poderia ser feito, primeiramente, pela exposição clara e poderosa da sã doutrina, convencendo os contradizentes (veja v. 9). Temos um exemplo disto quando, pela exposição da Palavra, o Senhor Jesus fez emudecer os saduceus, deixando-os sem resposta (Mt 22:34). Talvez seria necessário uma repreensão severa (Tt 1:13), e, se nada disto resolvesse o problema, a igreja teria de privá-los do privilégio de participar audivelmente nas reuniões.
O Homem Herege (Tt 3:10) A palavra traduzida “herege” no NT não significa, necessariamente, um que traz ensino herético. Indica um irmão que, apega-se a uma idéia ou caminho, e insiste tanto naquilo até ao ponto de criar contendas, divisões. Como primeiro passo, ele deve ser admoestado. Já encontramos esta palavra no caso dos desordeiros em Tessalônica, e notamos que descreve um treinamento por meio da Palavra, encorajando o herege a deixar o seu erro, e quando isto não é suficiente, uma advertência, uma censura e uma reprovação tornam-se necessárias. Esta admoestação deve ser repetida duas vezes, se for necessários, após duas admoestações, ele continua no seu erro, o terceiro passo deve ser tomado: “evita-o” (Tt 3:10). Evitá-lo não é excomungá-lo, mas sim, não lhe dar atenção. Isto, na prática, significaria impor limites à sua participação activa nas reuniões. Compare com “vos aparteis” (II Ts 3:6).
Aquele que Causa Divisões (Rm 16:17-18)
Paulo avisou os presbíteros da igreja em Éfeso que dentre eles mesmos se levantariam homens falando coisas perversas para atraírem os discípulos após si (At 20:30). Estes causariam divisões e escândalos contra a doutrina. O herege de Tito 3 pode chegar a ser incluído nesta categoria. A igreja deve notá-los. Compare com o caso do desordeiro em II Ts 3:14. É um aviso para a igreja pois tais pessoas constituem um perigo real. Além disto, os santos devem desviar-se deles; não significa excomungar, mas evitar no mesmo sentido de Tt 3:10.
O Falso Ensinador – Himeneu e Alexandre são apresentados como exemplos desta classe de pessoas (I Tm 1:20). Os erros de ensino deles são diferentes daqueles, já mencionados, dos faladores vãos e enganadores, e do herege, e daquele que causa divisões, pois o ensino falso agora em consideração é descrito como blasfêmia. No contexto deste capítulo, Paulo diz que ele próprio era blasfemo. Ele era fariseu, irrepreensível segundo a justiça que há na lei (Fl 3:6), e, portanto, jamais tomaria o nome do Senhor em vão. Mas naquele tempo ele pensou que deveria fazer muitas coisas contra o Nome de Jesus Nazareno (At 26:9). Ele negava a divindade do Senhor Jesus, e outras verdades relacionadas à Sua Pessoa divina; isto é blasfêmia, no contexto de I Tm cap. 1. Himeneu e Alexandre fizeram naufrágio na fé, e foram “entregues a Satanás”. I Co 5:5 – entregar a Satanás significa pôr fora da comunhão da igreja local.
Um Ultimo Recurso – Se, em qualquer circunstância, o disciplinado recusa reconhecer a decisão da igreja, esta jamais deve ir além das Escrituras, tentando forçar a submissão do ofensor. Nestes casos, o último recurso é entregar o caso a Deus. I Cor 5:2 sugere que quando a igreja poderia deixar o caso com Deus, e Ele tiraria o iníquo do seu meio .
