Tatuagens
Uma imagem imprimida no corpo (que pertence a Deus) não traz benção mas maldição
O VALOR DAS TATUAGENS – Samuel Pereira, 2005
História
Em 1769, o navegador e explorador inglês James Cook e a sua tripulação desembarcaram no Taiti, nas Ilhas Polinésias, e viram estupefactos que os habitantes da região usavam, no lugar das roupas, o corpo coberto de desenhos feitos na própria pele. Nos seus relatos registados no diário de bordo, Cook escreveu que os nativos injetavam tinta preta dentro da pele, que ficavam marcadas para sempre, e eles tinham isso como um motivo de grande orgulho.
Cook utilizou a palavra “Tattoo” para explicar o que vira. Esta palavra ficou consagrada mundialmente desde então. “Tatu”, no idioma do Taiti, significa “desenho no corpo”. Daí surgiu a palavra em português: tatuagem.
Além da perplexidade, os desenhos despertaram admiração e consternação. Afinal, o que pode levar alguém a submeter-se à dor e a derramar um pouco do próprio sangue para gravar na pele desenhos dos quais jamais se livrará?
Uma coisa é certa: as primeiras tatuagens de que se tem conhecimento têm origem no antigo Egito (estão datadas de entre 4000 a 2000 a.C.). Corpos (múmias) encontrados em escavações já exibiam tatuagens, mas parece que esta arte estava apenas restrita às mulheres. Acredita-se que as raparigas eram tatuadas numa espécie de ritual de iniciação à idade adulta.
Segundo a Prof.ª Ana M. Pacheco Chaves, especialista em psicologia social do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo: “A tatuagem é uma forma de comunicação não verbal que oferece informação instantânea. Quando é feita voluntariamente, é uma evidência física da lealdade do indivíduo a um grupo.”
A tatuagem é usada como sinal de identificação de tribos. Os mafiosos japoneses, os yakuzas, têm o corpo tatuado. É bastante comum o uso da tatuagem por modismo, como ornamento erótico, para informar a preferência sexual de quem as exibe e provocar a resposta de eventuais parceiros, ou por casais interessados em celebrar amor eterno.
O tatuador Maurício Daugirdas, com 21 anos de experiência, foi procurado por um rapaz que queria gravar no braço o nome da namorada, Carol. Pouco depois, voltou ao estúdio e pediu que apagassem o nome da amada. “Tive que fazer um desenho tribal para disfarçar o nome”, diz ele.
Entre as pessoas que se tatuam, existem ainda as místicas que acreditam que certos desenhos lhes conferem proteção mágica. Outras usam a tatuagem como forma de protesto ou de patriotismo, de amizade ou amor. Há quem queira registar eventos importantes – agradáveis ou não – como a data da morte de alguém querido ou a realização de um sonho.
A história conta-nos que os romanos tatuavam os seus escravos e os criminosos. Os nazistas repetiriam a prática da tatuagem como castigo. Marcavam a pele dos judeus tanto para controlá-los como para ofender a crença judaica que proíbe a tatuagem.
Problemas
Tatuar o corpo significa introduzir pigmentos na derme. Quando isso acontece, a presença desse corpo estranho (o pigmento) é logo sentida pelo organismo. Daí, o organismo tende a expulsá-lo, e o resultado é que, em vez de tatuagem, o que fica é uma cicatriz. Não existe tratamento 100% eficaz para a remoção de tatuagens quando se deseja ou necessita retirá-las. “As marcas permanecem sempre, mesmo quando é o organismo quem as rejeita.”
Segundo o dermatologista António C. M. Guedes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, o único caso registado, no mundo, de lepra transmitido por objeto aconteceu durante uma tatuagem. Em muitos casos, as agulhas são reutilizadas e, como há sangramento da região que vai ser trabalhada, até o dedo ou algodão utilizado para estancar o sangue pode transmitir doenças.
Também podem surgir reações alérgicas e cicatrizes indesejáveis, como as queloideanas. Se a pessoa tem algum tipo de doença dermatológica, como psoríase, líquen plano, vitiligo e verrugas, estas podem aparecer nos locais do trauma.
O Valor Espiritual
Segundo o psicólogo Miguel Perosa, professor da PUC de São Paulo, o desenho escolhido tem sempre a ver com o íntimo de cada um. “Através da tatuagem, a pessoa quer dizer algo de si mesma. O dragão, por exemplo, testemunha o desejo de autoafirmação.”
Além dos símbolos, o local usado também tem muito a dizer:
- Tronco – denota capacidade de decidir;
- Braços – significa que o indivíduo está a atravessar uma fase de lenta maturação;
- Pernas – indica pessoas infantis e pouco reflexivas.
Ao analisar o uso da tatuagem pelas nações tribais, percebe-se que elas estão ligadas a questões religiosas. Pelo contexto das leis levíticas, sabemos que:
- Os golpes e marcas no corpo tinham relações com rituais pagãos e até feitiçaria envolvendo a memória de mortos.
- Era uma violência contra o corpo físico.
Baseado nisto, podemos afirmar que não é recomendável que um cristão, sob qualquer pretexto, marque seu corpo com figuras ou qualquer imagem, pois:
A) O cristão e seu corpo são templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19-20):
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.”
B) Qualquer traço de identificação que exista nele deve vinculá-lo ao Senhor de sua vida, ao Senhor de seu corpo (Gálatas 6:17):
“Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.”
C) A marca identifica o possuidor, e as tatuagens identificam o indivíduo com outros deuses (Apocalipse 14:9-10):
“E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, … será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.”
O dragão, tatuagem com preferência absoluta entre os jovens, testemunha o desejo de autoafirmação, e não se pode esquecer que o dragão na Bíblia simboliza Satanás (Apocalipse 20:2):
“E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.”
Finalmente, é bom salientar três realidades vinculadas àquele que se tatua:
- Enfeitar o corpo, mesmo que seja com uma rosa, vincula-o a um possuidor estranho ao Senhor, por se tratar de uma prática milenar pagã.
- Uma imagem imprimida no corpo pode marcar a imagem da pessoa:
- Socialmente – por causa da discriminação e preconceito.
- Emocionalmente – porque a tatuagem é uma marca permanente.
- Espiritualmente – por indicar sua vinculação a uma prática pagã.
Por Samuel Pereira
