Oração gera Crescimento
Meditação em Atos 1:14; 2.42-47
“Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos…E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações….Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.
Creio que a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo não está a crescer, nos nossos dias, com a mesma amplitude que acontecia no princípio. A igreja nunca diminui, porque aquele que para ela é ganho jamais será arrojado do Senhor da Igreja (João 10:28), mas também é verdade que algumas igrejas locais têm decrescido em número de membros (irmãos em comunhão). Porquê? Existem muitas razões, vejamos algumas:
- Alguns que faziam parte da comunhão não faziam parte da Igreja e entretanto saíram (estavam enganados e enganavam) – 1 João 2:19.
- Alguns saíram porque foram enganados por meio de filosofias e subtilezas – Colossenses 2:8.
- Alguns estavam fracos no conhecimento da Verdade e foram levados por ventos doutrinários – Efésios 4:14.
- Outros partiram para o Lar do Pai.
- A Fé é fraca, a atitude e a comunhão com Deus não são expressivas – Romanos 10:17.
- A Igreja não se envolve no discipulado e na evangelização, por isso a igreja não tem sido aumentada com novos crentes – Mateus 28:19.
Esta é uma realidade, em muitos lugares do planeta, que devia ser objeto de reflexão por parte dos anciãos (Presbíteros) que superintendem na Igreja. Na verdade, não se trata de um sinal dos tempos, somente, mas acima de tudo um problema imputável, cuja responsabilidade máxima é daqueles que têm a obrigação de ser “Luz” e “Sal” no mundo; “Embaixadores” e “Testemunhas” de Cristo.
A crise que grassa em muitas igrejas locais tem a ver, a meu ver, com a deficiente utilização da comunhão entre o crente e Deus. A Comunhão com Deus é importante. A Comunhão entre os irmãos é necessária. Esta comunhão é melhorada, estreitada e torna-se íntima através do tipo de oração que temos com o Pai (Nosso Deus).
Como são as nossas orações pessoais com Deus? São Informais? Ou Íntimas?
Como são as orações da Igreja, na igreja, com Deus? São Informais? Extravagantes? Altivas ou Humildes?
A Oração é inquestionavelmente um fator para o crescimento da Igreja. Deus ouve a oração daquele que tem comunhão íntima consigo. Deus responde à oração daquele que pede, segundo a sua vontade – 1 João 5:14-15.
Deus tem respondido às orações da Igreja? Se não, porquê?
a) Porque se tem pedido mal, não sabendo bem o que se pede – Tiago 4:3.
b) Porque a vida daqueles que oram está em pecado oculto – 1 Timóteo 2:8; Isaías 1:15.
c) Porque a igreja não sabe falar com Deus!
Vou expor alguns erros que ocorrem em reuniões de oração, erros esses que não promovem respostas dignas de Deus:
- Muitas vezes, numa reunião de oração, canta-se com hinos não apropriados e sem um mínimo de entendimento nas palavras proferidas a Deus.
- Muitas vezes, um crente começa a “orar” dando graças, louvando e intercedendo por tudo o que lhe vem à lembrança. Faz “como os gentios, os quais pensam que por muito falarem são ouvidos”. Monopoliza a reunião de oração. Por vezes, é tão cansativo que a paciência dos outros crentes acaba por se “desligar” da oração. A comunhão entre todos na oração acabou ao fim de 3 minutos!
- Também, outro crente se levanta e faz o mesmo. Não querendo mostrar-se menos “espiritual” que o anterior, repete alguns assuntos já referidos dantes… A sua “espiritualidade” percebe-se na alusão de textos bíblicos na oração. Ele dá “explicações” a Deus e aproveita para informar os crentes sobre alguns assuntos que leva em oração. Por vezes, também manda “recados” para alguns ausentes! Ninguém está orando com ele!
- A Assembleia que deve orar, dizendo “Amém”, vai ficando com sonolência – se muitas das vezes não “adormece”.
- A reunião de oração que tem por objeto apresentar a Deus: Graças, Louvor, Adoração, Petição e Súplicas, transforma-se num “velório” ou num “tempo perdido”. As orações não saíram da sala… não chegaram até Deus. Deus não tem resposta para dar.
Em contraposição, lemos que no princípio da Igreja, os crentes “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações… Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (Atos 2:42,47).
Esta realidade de crescimento quantitativo e qualitativo da Igreja era fruto da sua perseverança na doutrina… e na oração. É importante saber orar. Orar com fé. Orar com sabedoria. Orar com método.
Numa reunião de oração, o primeiro a orar deve fazê-lo exclusivamente com ação de graças e louvor. Dois minutos chegam para tal. Ele deve recordar-se que não é ele só que ora, mas a Assembleia está a orar com ele. Por isso, os crentes presentes acompanham-no com “assim seja”, “oh, sim, Senhor”, “Glória a Deus”, “Aleluia”, “Amém”.
Convém que mais ninguém ore com a mesma finalidade. Salvo se houver um motivo muito especial, como foi o caso da prisão de Pedro – Atos 12:5. Todos os outros intervenientes em oração devem dirigir-se ao Senhor, cada um com um outro assunto.
O crente é livre para orar em sua casa horas seguidas, mas na Assembleia, deve respeitar o direito dos seus irmãos também exporem, em tempo útil, outros assuntos.
A oração deve ser feita em voz audível, mas sem excessos. Toda a congregação deve acompanhar, com moderação, quem ora. Só se deve orar por aquilo que é justo, útil e oportuno, e com a firme convicção de que o Senhor vai responder, ainda que não seja como e quando nós queremos.
É um privilégio cada filho de Deus poder orar mais que uma vez na mesma reunião, sempre por outro motivo e sem molestar ninguém! Este princípio serve para levar o crente a interessar-se mais pela reunião de oração.
Quão agradável é escutar, de dois em dois minutos, outra voz com um motivo diferente! Se o número de participantes é grande, deve introduzir-se um “tempo de canto”, com um ou dois coros apropriados, ou a leitura de um trecho da Palavra de Deus, curto e adequado.
Em cada rosto, expresse-se a felicidade de um noivo, e não a cara de quem vai num enterro.
S.P.
