O dever da contribuição
No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.
CONTRIBUIÇÃO
“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; 2 Coríntios 9:7,8
“Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for. E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes. Se convier que eu também vá, eles irão comigo. 1 Corintios 16
Ainda que este assunto seja muito extenso e amplamente tratado na bíblia, inclusive na segunda epístola aos Coríntios (caps. 8 e 9), apresentaremos, a seguir, apenas alguns princípios sobre o tema “coleta e contribuição”, ensinados por Paulo, no texto em foco. Apesar de se tratar de uma coleta especial, em benefício dos pobres dentre os santos que viviam em Jerusalém (Rm 15.26), tais princípios também são válidos para as contribuições feitas, pelos membros, para sustentar financeiramente a igreja.
1º) PERIODICIDADE (regularidade) “No primeiro dia da semana…”
No dia do Senhor, a cada domingo, os crentes deveriam separar a sua oferta, retirando-a de parte do rendimento semanal que obtiveram como fruto do seu labor ou ganho. Isso também ressalta a importância que o domingo tinha e tem para a igreja. A regularidade e presteza dessa providência era a garantia de que, quando o apóstolo chegasse, haveria algo a ser coletado. Deus não precisa do “nosso dinheiro” (não somos donos, somos apenas mordomos), pois ele é o dono de tudo:“Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.” (Jó 41.11). Mas ele quer usar os nossos recursos para a manutenção da sua obra através da igreja. Se alguém tem um rendimento mensal, então a sua periodicidade pode ser mensal e deve ser entregue com regularidade.
2º) INDIVIDUALIDADE“…cada um de vós ponha de parte, em casa….”
Cada um tem, diante de Deus, a responsabilidade e privilégio de contribuir. Além de ser uma ordenança é parte do culto que tributamos a Deus: “…porém não aparecerá de mãos vazias perante o SENHOR;” (Dt 16.16b). Faz parte desse culto a Deus oferecer-lhe algo que nos custou alguma coisa: “porque não tomarei o que é teu para o SENHOR, nem oferecerei holocausto que não me custe nada.” (1Cr 21.24b). Isso fazemos, não para comprarmos a salvação, mas exatamente porque já somos salvos; não para comprarmos as bênçãos divinas, mas porque somos abençoados por Deus. É preciso ter consciência de que parte daquilo que Deus nos deu precisa ser usado para ajudar os necessitados e para investir no reino de Deus. Essa é uma prática que os pais, além de não descuidar, devem ensinar aos seus filhos.
Contribuição é um assunto individual, pessoal, entre cada um e Deus! Jesus, nosso Mestre por excelência, ensinou assim: “Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6.3-4).
3º) DISPONIBILIDADE “…conforme a sua prosperidade…”
A contribuição é proporcional ao que cada um recebe de rendimentos, pela indispensável e magnânima providência do Senhor nosso Deus. Deus nos dá primeiro para que possamos devolver uma parte para ele: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos.” (1Cr 29.14). É conforme o que cada um tem, como retribuição às bênçãos recebidas: “cada um oferecerá na proporção em que possa dar, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe houver concedido.” (Dt 16.17).
Diante de Deus, uma oferta de 10% (dez por cento), entregue por quem ganha 1 salário mínimo é, no mínimo, equivalente a 10% (dez por cento), entregue por quem ganha 10 salários mínimos. Mais importante para Deus é o valor relativo e não o valor absoluto. Lembra a humilde oferta da viúva e da reação de Jesus. “Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento.” (Mc 12.44). Que bom seria se os crentes entendessem essa contabilidade divina, tão simples! Merece especial destaque o facto do apóstolo não estabelecer valores.
4º) LIBERALIDADE ( Alegria, compromisso)“…e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.”
Liberalidade é a virtude daquele que, em seus actos ou intenções, dá o que não tem obrigação de dar e sem esperanças de receber qualquer coisa em troca. Generosidade é a virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem. Os crentes deveriam, liberalmente e generosamente, separar aquilo que quisessem dar, conforme o Senhor colocasse no coração de cada um. “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.” (2Co 9.7).
Ninguém era obrigado a dar. Ninguém seria ridicularizado e humilhado se não pudesse dar; ou exaltado se desse.
5º) HONESTIDADE E, quando tiver chegado, enviarei, com cartas, para levarem as vossas dádivas a Jerusalém, aqueles que aprovardes. Se convier que eu também vá, eles irão comigo.
Manusear dinheiro ou recursos de terceiros, inclusive no âmbito da igreja, exige honestidade, prudência e total transparência: “evitando, assim, que alguém nos acuse em face desta generosa dádiva administrada por nós; pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens.” (2Co 8.20-21).
Na igreja, ninguém deve manusear dinheiro sozinho; seja na contagem e registo de ofertas, seja na distribuição, mesmo que seja um tesoureiro de confiança, eleito para o exercício de tal função, ou um diácono honesto. Embora pouco frequente, tem havido casos de desvio de dinheiro e ofertas.
Nota final Estes cinco princípios teologicamente basilares, expressam a importância e os consequentes desdobramentos da contribuição:
– Promove equilíbrio e igualdade: “Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade,” (2Co 8.13) “e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” (2Co 8.14b-15)
– Permite a reciprocidade e mutualidade: “suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta,” (2Co 8.14a)
– Expressa e evidencia amor: “Manifestai, pois, perante as igrejas, a prova do vosso amor e da nossa exultação a vosso respeito na presença destes homens.” (2Co 8.24)
– Tem a promessa de colheita proporcional à semeadura: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará.” (2Co 9.6)
– Tem a promessa de prosperidade: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade,” (2Co 9.8-11a). Aqueles que só pensam em si próprios deveriam refletir neste texto bíblico: “Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza.” (Pv 11.24 – NVI)
– É causa de ações de graças a Deus: “a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.” (2Co 9.11b)
CONCLUSÃO:
A maioria das pessoas gasta a maior parte de suas vidas tentando ganhar dinheiro. A Bíblia nos ensina que tudo deve ser feito para glorificar a Deus (II Co. 10.31).
Nós podemos e devemos glorificar a Deus com o nosso dinheiro.
A Bíblia tem muito a dizer sobre finanças, pois Deus sabia as dificuldades, tentações e pressões que iríamos receber nesta área. Ele nos deixou instruções bem definidas e específicas nesta área.
1. O amor de Deus se manifesta em dar:
1.1. Ele nos deu Jesus Cristo (Jo. 3.16; Rm. 5.8)
1.2. Jesus, sendo rico, fez-se pobre por amor a nós (II Co. 8.9)
2. Contribuir é graça e não obrigação:
Graça é algo que está além das nossas virtudes: salvação, contribuição, sofrimento (II Co. 8.1)
3. Quatro tipos de fé:
3.1. A fé salvadora (At. 16.31)
3.2. A fé santificadora (II Co. 1.30; Gl. 5. 22-23)
3.3. A fé que se orienta nos fatos e possibilidades de Deus (Hb. 11.1)
3.4. A fé que se preocupa com Deus e sua obra (Jo. 4.34; Fl. 1.20)
4. A graça de Deus nos permite contribuir:
4.1. Pois tudo é de Deus (Dt. 8.18; Sl. 24.1; I Cr. 29.10-17)
4.2. Pois tudo o que você conseguiu é graças a Deus (I Co. 4.7; II Co. 9.10)
4.3. É graça/gratidão, e não troca de favores ou cobrança (Gn. 4.1; Jd. 11)
4.4. É graça, e não medo (II Co. 9.7)
4.5. É graça, porque Deus multiplicará conforme a minha fidelidade (II Co. 9.8-11; Lc. 6.38; Mt. 13.12; Ml. 3.8-9; )
5. Um exemplo de contribuição: a Igreja da Macedónia (II Co. 8-9):
5.1. A situação financeira dela: profunda pobreza (8.2)
5.2. Atitudes ao contribuir: alegria e generosidade (8.2), voluntariedade (8.3), boa vontade (8.12)
5.3. Quanto contribuir: na medida e além das posses (8.3), auto-empobrecimento (8.9)
5.4. Finalidade de contribuir: assistência aos santos (8.4), entrega total a Deus (8.5)
5.5. Como contribuir: com diligência (8.8), presteza e zelo (9.2)
5.6. Ensino e administração: aberto (8.16-23) e por pessoas: comprometidas e amorosas (8.16), cuidadosas e voluntárias (8.17), reconhecidas (8.18), zelosas e experimentadas (8.22) companheiras, cooperadoras (8.23)
5.8. Promessas aos que contribuem: as boas obras dão alegria e permanecem (9.7-9)
5.9. A contribuição redunda em muitas ações de graças (9.12-13)
