Os Direitos de Deus (sobre nós)
Deus tem domínio sobre tudo e todos!
DIREITOS DE DEUS SOBRE O CRENTE
Introdução
O crente em Jesus, alcançou por um favor imerecido (Graça) o atributo de “Filho de Deus”. Deus, agora na qualidade de nosso Pai, tem direitos que, como filhos obedientes, devemos aceitar, não com pesar ou relutância, mas com prazer e alegria. Conhecer os direitos que Deus tem sobre cada um de nós leva-nos a viver uma vida quotidiana dentro dos princípios divinos e a estar preparados para o combate contra as potestades e as hostes espirituais da maldade (Efésios 6:12), para além de termos mais facilidade de fechar os ouvidos ao constante chamamento para os prazeres da carne e do mundo.
1 – Os Direitos de Deus sobre o “nosso” Corpo
O ser humano é constituído por três partes distintas que se interligam entre si, tecnicamente conhecido por tricotomia. A Bíblia fala acerca destas 3 partes que constituem o ser humano: a tri-unidade: corpo, alma e espírito (1 Tessalonicenses 5:23). Esta tri-unidade revela a natureza material e espiritual, indicando o modo pelo qual foi criado. Está escrito: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente.” (Gênesis 2:7). Na primeira parte deste verso, temos a formação material do ser humano. Deus formou o corpo do homem do pó da terra e deu-lhe uma estrutura devidamente organizada, completamente funcional e perfeita.
A Palavra de Deus, nossa única fonte verdadeira e sagrada, apresenta vários tipos que ilustram a importância do corpo humano. Vamos nomear os propósitos de Deus ao enunciar esses tipos:
- Tabernáculo (2 Coríntios 5:1; 2 Pedro 1:13-14). O nosso corpo é o tabernáculo da alma e do espírito durante a nossa vida na terra. Devido a esta função extremamente importante, o corpo deve ser conservado (1 Tessalonicenses 5:23).
- Templo ou santuário (1 Coríntios 6:19). O nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que nos foi outorgado no dia da nossa conversão a Cristo (Efésios 1:13). Também por esta razão deve ser conservado santo e agradável a Deus (Romanos 12:1) para glória de nosso Pai.
- Vaso de barro (Lamentações 4:2; 1 Tessalonicenses 4:4; 2 Timóteo 2:20-21). O nosso corpo é apresentado como um vaso para mostrar a sua fragilidade, mas também a sua formosura. Similarmente, realça a importância e utilidade desses vasos na obra de Deus. De acordo com o uso e manejo do corpo, este pode ser um vaso de honra ou desonra no testemunho do coletivo, que é a Igreja.
Para que o corpo possa ser apresentado a Deus bem conservado e agradável, os seus membros que constituem este corpo devem preservar algumas das normas estabelecidas por Deus para a sua função não ser adulterada. Vejamos alguns membros que estão expostos a perigos e por isso merecem atenção cuidada de cada um de nós:
- Olhos: A visão é uma das maiores maravilhas que o corpo possui. Mas a Bíblia fala do pecado da concupiscência dos olhos (1 João 2:16), que é a força do desejo impuro e lascivo despertado através da visão. O proibido que muitas vezes os olhos presenciam contamina a mente e produz a cobiça e a tentação da posse ilegal. Desta forma, o corpo desonra o seu Criador com o adultério, a perversão sexual, o furto ou o enriquecimento ilícito. Também para satisfazer o instinto do apetite, a concupiscência dos olhos atrai a pessoa à glutonaria e à bebedice, que são denominadas de «obras da carne» (Gálatas 5:19-21). Estes pecados contra a saúde do corpo evidenciam a falta de domínio próprio quanto ao necessário em alimentos para satisfazer as necessidades do corpo. É importante estar alerta para não cair na tentação.
- Ouvidos: A audição é a capacidade para ouvir. Os ouvidos estão no corpo para captar sons e ajudar-nos a perceber o que se passa à nossa volta. Ora, o Diabo – astuto – corrompe a boa música para, através dela, levar o homem a desagradar a Deus. Atualmente, no frenesi de preencher o vazio interior, muitos jovens são presas fáceis na luxúria musical, com os festivais de rock, os ritmos sensuais, as letras aparentemente inocentes, mas que invertidas, são mensagens satânicas de apelo ao sexo ilícito, à bebedice, à promiscuidade, ao uso de drogas e negam Deus e o seu Amor porque estão corrompidas com espíritos malignos. O crente deve fugir de toda a aparência do mal e desta também.
- Mãos e pés: A Bíblia fala muito das mãos e dos pés e da sua utilidade. Vejamos o valor das mãos: engrandecem (Provérbios 31:31), sustentam (Mateus 14:31), abençoam (Mateus 19:13), trabalham (1 Tessalonicenses 4:11). E dos pés? Devem andar nas pisadas de Cristo (Mateus 9:9), devem ser consagrados para andar em retidão na presença de Deus (Gênesis 5:24; 6:9; 17:1), devem andar por onde o Senhor ordenar que andemos (Deuteronómio 5:33; Josué 22:5; 1 Reis 3:14; 8:38; Salmo 1:1). Estes são os propósitos de Deus para estes membros. Cuidemos não os colocar em áreas onde Deus abomina.
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (1 Coríntios 6:19-20). O nosso corpo é o templo do Espírito Santo, já o dissemos acima, por isso é nosso dever zelar por ele. Gostaria de alertar para mais dois grandes inimigos do corpo: o alcoolismo e o tabagismo. Estes dois inimigos têm destruído não só o corpo, mas também lares e o testemunho da igreja no mundo. O cuidado é pouco para não cair nestas tentações. Só através duma comunhão e intimidade forte com o nosso Deus é possível vencer. O crente carece de segurança. Ela só se encontra em Deus (Salmo 62:1). Não dês lugar ao diabo (Efésios 4:27) e desta maneira os direitos de Deus sobre o teu corpo serão completamente respeitados e Ele honrado.
2 – Os Direitos de Deus sobre o “nosso” Espírito
O espírito do homem representa a sua natureza espiritual e habilita-o a ter comunhão pessoal com o Criador. O espírito do homem tem consciência de Deus e também consciência do bem e do mal. O espírito do homem não é uma simples respiração ou fôlego de vida. O sentido mais correto do significado para o termo espírito encontra-se na obra da criação do homem, quando Deus soprou nos seus narizes, fazendo-o alma vivente. Isto é: o homem ficou vivendo com vida física e vida espiritual.
O espírito tem pelo menos duas faculdades essenciais que identificam a sua relação com Deus: a Fé e a Consciência. Essas duas faculdades manifestam a natureza moral e espiritual do homem e a sua indiscutível diferença da criação irracional.
- A Fé é uma firme convicção que conduz o homem a uma determinada realidade espiritual, levando-o a sentir necessidade de exercer atividades espirituais como a adoração, a reverência e a oração. A fé incita o homem a ter comunhão com o seu Criador. Muitas vezes, esta fé, em alguns, é concentrada em ídolos que são a representação do poder do inimigo de Deus. Trata-se de algo espiritual, também, mas contrário ao princípio estabelecido por Deus, logo errado. Fé significa crer, confiar. Mas esta forma de crer não é o crer intelectual, mas um crer com sentido prático consciente, isto é, confiar, ter certeza, saber que o que se crê é real e tem consequência prática na nossa vida espiritual.
- A Consciência interliga o pensamento do homem para a comparação entre a lei moral e a lei espiritual. Esta faculdade age nas decisões a tomar como um Juiz, que aprova ou reprova o procedimento, reconhecendo o bem e o mal.
O pecado afeta o espírito do homem. No passado foi também assim: “Porque, como por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.” (Romanos 5:12). Ora, a vontade de Deus é a nossa obediência quanto aos seus mandamentos. Isso implica ter o espírito em boa comunhão com Deus para não cair facilmente nas astutas ciladas do maligno. O espírito da pessoa que é crente em Cristo tem uma ajuda preciosa para não ser contaminado facilmente com o erro. Estamos a referir-nos ao Espírito Santo. Sem dúvida que este Elemento Divino em nós nos capacita para a verdade, orientando-nos para a glorificação do nome de Jesus e ajudando-nos a saber discernir o erro do que é agradável a Deus.
Nos dias que vivemos, há pecados que afetam de sobremodo a nossa relação com Deus. Estes pecados afrontam a santidade de Deus e são motivos que levam a Deus não poder exercer os seus direitos sobre o nosso Espírito. Vejamos alguns:
- Idolatria: O primeiro dos dez mandamentos dados a Moisés diz: “Não terás outros deuses diante de mim.” (Êxodo 20:3). É um pecado do espírito humano porque congrega a natureza espiritual no sentido de adorar, orar ou louvar outra coisa que não é Deus, o Criador de todas as coisas. Adorar implica reconhecer a soberania de Deus e indica que Deus é merecedor de reverência e louvor. Ora, ter um ídolo ou uma criatura no lugar de adoração a Deus certamente “irrita” a Deus e contribui para que o espírito tenha um sentimento de secundarização de Deus.
- Orgulho: A característica mais real no orgulho é a sede insaciável pelo poder, a busca desenfreada pela auto-afirmação. Este pecado é abominado por Deus. Basta conferir o que Provérbios 21:4 diz: “Os olhos altivos, o coração de orgulho e a lavoura do ímpio são pecado.” E também no mesmo livro, em 28:25, refere que as contendas são produto de um coração orgulhoso. Diz o Espírito Santo através de Paulo que nos últimos tempos é comum ver o tipo de pessoas que pecam neste sentido. O seu conselho é: “Afasta-te.” (2 Timóteo 3:4-5). O Orgulho é pecado.
- Egoísmo: É outro pecado do espírito humano. Ele expressa-se nas relações com Deus e com os homens. O egoísmo torna o espírito da pessoa obsessivo. Tudo o que faz, pensa ou realiza é no sentido de elevar o seu ego. A grande vitória espiritual está em crucificar o “ego” para que Cristo reine e se assente no trono do coração (Gálatas 2:20). Quando o crente no Senhor Jesus está vivendo para si, o primeiro mandamento deixado por Jesus, “de amar a Deus sobre todas as coisas”, fica altamente prejudicado e é vilipendiado. Quando Deus não tem primazia sobre o Espírito, então tudo está preparado para que Satanás tome posse dos direitos de Deus sobre essa vida, levando-o a cair e a desonrar Aquele que é merecedor de toda a glória.
- Dureza de coração: Outro termo conhecido com o mesmo sentido é “duro de cerviz”. A dureza do coração refere-se à insensibilidade que uma pessoa tem para com o próximo e para com Deus (1 Samuel 25:3). Este tipo de pecado leva o espírito a contrariar os propósitos de Deus. Muitas vezes, Deus quer falar, mas a insensibilidade perante a Sua vontade produz mornidão e queda espiritual.
Em conclusão, devemos recordar que Deus tem prazer na atividade do espírito na realização do culto de adoração. “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:24). Este dever facilita a direção de Deus na vida do crente.
3 – Os Direitos de Deus sobre o “nosso” Tempo
Um bom princípio da vida cristã é o reconhecimento de que Deus é o Senhor do tempo, e que a sua administração deve ser da responsabilidade de Deus. “Os meus tempos estão nas tuas mãos,” já dizia o salmista (Salmo 31:15). Este princípio não é mais que a aceitação de que Deus tem todo o direito de usar-nos no tempo e durante todo o tempo da nossa vida, porque somos propriedade exclusiva sua, na qualidade de povo adquirido (1 Pedro 2:9).
O tempo é uma dimensão que não conseguimos alterar porque a lei do tempo está determinada pelo Criador desta mesma dimensão. Assim, quando não conseguimos fazer todas as coisas desejadas no tempo que queremos ter, o problema não está no tempo. O tempo não foge de nós.
Diz um ditado que “O tempo é dinheiro, logo devemos gastá-lo sabiamente.” É uma expressão figurativa do valor que o tempo deve ter na vida e nas decisões de cada um. Sempre temos o tempo à “nossa mão” e vivemos nele. O grande problema que ocorre muitas vezes é que realizamos no tempo muitas atividades de maneira incorreta porque não são decididas e orientadas por Aquele que é conhecedor e Criador do tempo.
Outros ditados referem que “O tempo voa” e “Não tenho tempo.” São expressões comuns aos que realizam serviços e não conseguem executá-los no tempo disponível. A razão é simples: o serviço pretendido não foi norteado e planificado para o tempo disponível.
A Palavra de Deus é bem explícita quando diz que o tempo é suficiente para cada atividade debaixo do Céu: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou. Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar. Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar. Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar. Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora. Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar. Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.” (Eclesiastes 3:1-8).
Este conceito bíblico acerca do tempo relaciona-se não só com aspectos temporais, mas também com aspectos eternos da vida humana. A vida humana é temporal. Isto é, limitada ao tempo (Salmo 90:3-10), por isso o tempo da nossa vida na terra é precioso e precisa de ser bem administrado. No entanto, após a morte do corpo, o espírito volta a Deus que o deu (Eclesiastes 12:7), e a vida eterna não é mais limitada no tempo. No entanto, aquilo que foi usado com o tempo e no tempo sobre a terra tem repercussões na eternidade.
A vida humana não se restringe só ao respirar, comer, beber, dormir, trabalhar e mover-se sobre a Terra. É mais, muito mais que isso. “Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestido?” (Mateus 6:25). Pelas palavras de Jesus, podemos inferir que tudo quanto respeita à vida espiritual tem um valor acrescentado para a eternidade que se aproxima.
Como podemos administrar o tempo, reconhecendo que Deus tem todo o direito sobre ele?
- No trabalho secular: Após a queda de Eva e Adão no Jardim do Éden e uma vez expulsos dele, o homem teve que mudar de atividade, passando do privilegiado governador do alimento existente para lavrador da terra, a fim de angariar o seu alimento e o da sua família (Gênesis 3:17-19). O tempo é necessário para a realização do trabalho. Mas o crente não deve ser escravo do trabalho. Muitos trabalham demasiado para alcançar riquezas e muitos bens materiais na terra. Usam tempo que devia ser dedicado ao Senhor. Procuram tesouros que não servem para ser armazenados no céu (Mateus 6:19-20). São bens sem qualquer valor. A eternidade provará que foi trabalho em vão e perdidas boas oportunidades do uso desse tempo em atividades de glorificação do Criador. O Senhor deve estar no primeiro lugar em relação ao trabalho.
- No lazer: Há conceitos errados acerca do lazer na vida do crente. Há aqueles que são frontalmente contrários a qualquer tipo de lazer. O crente em Cristo não é mais escravo do pecado. Ele é livre para viver; não só livre para a vida espiritual, mas também para gozar os benefícios da natureza criada, para compartilhar horas felizes com os seus e com outros e assim tornar-se mais agradável para o próximo e para si mesmo. Este tempo deve ser gerido na vontade do Senhor, sabendo que todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas convêm (1 Coríntios 6:12).
A família necessita de espaço para incrementar o nome e o poder de Deus em cada serviço e em cada conversação. Devemos usar todo o tempo na aprendizagem de que Deus tem direito à primazia. Esta primazia incentiva-nos a ter um tempo devocional com Deus, a gostar de orar e a meditar nos conselhos, admoestações e mandamentos divinos.
- Na Igreja local: A Bíblia aconselha a que cresçamos “na graça e no conhecimento” (2 Pedro 3:18). A robustez da nossa vida espiritual está em saber separar tempo para dedicar exclusivamente à comunhão com os irmãos que professam a mesma fé. Precisamos de tempo para a oração coletiva, meio pelo qual mantemos comunhão com Deus e com os irmãos. Tempo para as atividades da igreja local (Hebreus 10:24-25). É importante o tempo usado na meditação da Palavra de Deus e na audição dessa mesma Palavra porque assim ganhamos fé sobre fé, sendo mais fortes na verdade de Deus e na sua vontade em relação a cada espaço de tempo que vivemos sobre a terra (Romanos 10:17). Devemos gastar tempo no uso dos dons espirituais que Deus nos tem concedido. Também devemos utilizar tempo na comunicação dos talentos naturais que Deus nos tem presenteado. Tudo para glória de Deus e de seu Filho amado Jesus (Colossenses 3:17).
Em conclusão, recordemos que o tempo não é ilimitado para a vida humana. Deve ser gerido bem. Como sabemos que somos fracos para alcançar sucesso nesta área, o melhor é depositarmos nas mãos de Deus toda a nossa vida para que Ele nos dê as decisões sábias em todo o tempo.
Não esqueçamos que o tempo passado jamais será recuperado. O dinheiro pode ser acumulado e gerido conforme a sua quantidade, mas o tempo para nós está constantemente a diminuir. Logo, ele é precioso e não pode ser desperdiçado. Só Deus nos pode ajudar a gastá-lo bem.
4 – Os Direitos de Deus sobre a “nossa” Família
A família é a mais antiga instituição da raça humana. Foi estabelecida antes das nações, da Igreja, da Escola ou de qualquer instituição humana. A família é a única instituição bíblica antes da entrada do pecado no mundo (Gênesis 1:26-31; 2:18-25). Mas a família, como instituição divina, tem sido atacada pelo inimigo de Deus de maneira a corromper os bons costumes e a destruir a imagem do Criador. Ora, Deus tem todos os direitos sobre esta instituição por si criada.
Segundo o conceito bíblico, a família é constituída pelo marido (homem), esposa (mulher) e filhos. Todas as combinações diferentes desta adulteram o propósito de Deus e é pecado, porque são abominação ao Senhor (Levítico 18:22, etc.). Por isso:
- A família deve ser protegida e preservada: Reconhecer que Deus tem todos os direitos sobre a família está na consciencialização de que a família pertence a Deus e que deve ser preservada contra toda a possibilidade de desagregação. Deus não só instituiu, mas ordenou a continuação da família através de um relacionamento sadio e de temor a Deus. A família representa a unidade básica da sociedade, por isso ninguém tem o direito de interferir ou fazer alterações no plano divino (Marcos 10:1-12; Mateus 19:1-12).
- A igreja é responsável pelo ensino bíblico de orientação da família cristã em todas as suas esferas: Deus não instituiu o casamento por acaso. Ele tinha um propósito previamente estabelecido. O matrimônio é uma necessidade para a vida. Ele criou o homem e a mulher para viverem em felicidade e no prazer da comunhão: física, moral, sexual e espiritual. O matrimônio é obrigatório no conceito de Deus para a multiplicação da raça humana, para a criação de filhos e para a sua sustentação (Gênesis 1:27-28).
O casamento foi criado para durar, dentro de um harmonioso relacionamento entre marido e mulher, pais e filhos. Ordena a Bíblia que haja respeito mútuo, amor e compreensão entre as pessoas da família (Mateus 19:6; 1 Coríntios 7:20; Efésios 5:25,28,31; 6:1-4).
A família deve ser uma estrutura moral e espiritual. Os direitos de Deus sobre a família manifestam-se no reconhecimento e obediência aos princípios básicos da constituição da mesma. O primeiro princípio é o da união entre o homem e a mulher; não só uma união física, mas também de um entendimento perfeito, de uma comunhão genuína e espiritual entre eles mesmos e Deus. O segundo princípio é o da realização pessoal e mútua. O terceiro princípio é o da perpetuação da espécie sobre a Terra. Não por outro meio, nem de outro modo, mas é pelo casamento e, naturalmente, a família.
A família deve ter bem presente os princípios divinos. Viver em família implica conhecimento e responsabilidade dos princípios divinos estabelecidos. Vamos examinar alguns itens:
- Os deveres conjugais: Para que haja um relacionamento sadio e de plena compreensão, é necessário que ambos os cônjuges se auto-administrem em perfeita comunhão, considerando que o Senhor é o líder do casamento e o Senhor das suas vidas. A vida conjugal deve apoiar-se no amor, que é fundamental para um sentimento de confiança ao longo da vida (Efésios 5:22-25,28-33). O amor não deve ser egoísta, querendo unicamente a satisfação de uma das partes. Num lar cristão governado pelo amor, não há lugar para ciúmes doentios, atitudes frívolas, agressões físicas ou palavras rudes. Ninguém magoa a sua própria carne (Efésios 5:29), já que ambos (marido e mulher), pelo casamento, são “uma só carne” (Efésios 5:31). No relacionamento conjugal deve existir intimidade com respeito mútuo, para que a união conjugal não se desmorone facilmente. O amor entre os cônjuges cria um ambiente de felicidade e tranquilidade no meio dos que habitam esse lar.
- A fidelidade conjugal: A infidelidade no lar e na vida conjugal tem sido a ruína de muitos casamentos e vidas. O casal deve administrar as suas necessidades físicas de modo a haver reciprocidade e satisfação mútua. A Bíblia fala de exclusividade e pureza no casamento (1 Tessalonicenses 4:3-4).
- A chefia no lar: Deus deu o privilégio ao homem de ser o responsável pela família e por todas as suas decisões. A ele pertence o lugar de líder, de cabeça da mulher e do lar (Efésios 5:23). Notemos o que a Bíblia ensina aos maridos cristãos: “Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher.” (1 Pedro 3:7). Ora, vemos aqui o papel altamente responsável do marido: amar sua esposa. Quem ama não fere. A responsabilidade da esposa é de obediência e submissão ao marido (Efésios 5:22,24,33). Esse princípio é refutado veementemente pela sociedade moderna, porque não o entende, porque é divino, não humano. A obediência envolve submissão, que deve ser entendida como respeito e reverência à posição do homem no contexto de família. Não significa uma submissão cega, incoerente com os princípios de vida conjugal estabelecidos por Deus. Essa submissão é, antes de tudo, “como ao Senhor.” A mulher que entende a sua posição na família é feliz, não é escrava, criada ou objeto do seu marido, antes é companheira auxiliadora, amiga e amada. O marido que entende a sua posição no casamento não é rude, autoritário, intolerante, prepotente, mas sim um companheiro, amigo, sustentador, protetor e revela constantemente o seu amor à sua amada. Também o cultivo na vida espiritual é fundamental dentro da família. Cabe ao chefe da família consciencializar-se do seu papel espiritual como sacerdote da família (Êxodo 12:26-27; Apocalipse 1:6).
- Os deveres familiares: Os pais têm a importante missão de delinear os rumos da vida dos seus filhos, de tal forma que, desde a infância até se tornarem adultos, sejam felizes. A Bíblia é o manual por excelência de educação moral, cívica e espiritual para todas as idades. A disciplina é a chave do sucesso da instrução familiar. Diz o sábio provérbio de Salomão: “Instrui ao menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22:6). Para a criação dos filhos, existem alguns requisitos essenciais: maturidade, capacidade emocional, física, moral e espiritual, amor e disciplina.
Em conclusão, podemos perceber que quando Deus exerce os seus direitos sobre a família, o lar vive em paz e com a alegria de poder honrar o Senhor dos Altos Céus. A família tem prazer em estar junta e comunicar entre si. Tem deleite em desfrutar as experiências individuais de cada um e tem a alegria de viver uma vida espiritual em harmonia com os preceitos de Deus, seja no lar, seja com a igreja local.
Que cada um de nós possa entender que ter Deus em primeiro lugar nas decisões de todas as coisas é um princípio que Lhe agrada e proporcionamos uma consciência de que os direitos de Deus sobre nós não são pervertidos.
Por Samuel Pereira
